Voltar ao portfólioTCC · PUC Minas · 2024
Trabalho de Conclusão de Curso

Investigação de Criptoativos à Luz da Perícia Computacional e da Inteligência Cibernética

Uma abordagem centrada em atividades ilícitas — rastreamento de transações em blockchains públicos, análise de carteiras em sites da Dark Web e uso de ferramentas OSINT para perícia forense computacional.

BlockchainOSINTPerícia ForenseBitcoinEthereumDark WebCibersegurança
Luiz Henrique Pires Colombo·Orientador: Prof. João Benedito dos Santos Junior·PUC Minas · 2024
113
sites .onion analisados
57
carteiras identificadas
24
com movimentação significativa
9
ferramentas OSINT utilizadas
Resumo

Este artigo examina técnicas para rastreamento de transações de criptoativos, motivado pela expansão desse mercado no setor criminal. Agências governamentais enfrentam necessidade crescente de monitorar transações vinculadas a crimes cibernéticos — lavagem de dinheiro, ocultação de ativos, fraudes e extorsão. O uso de chaves criptografadas dificulta o rastreamento, mas utilizando estratégias e ferramentas OSINT, é possível traçar origem e destino das transações e vinculá-las a suspeitos.

01

Introdução

Blockchain e criptomoedas trouxeram avanços significativos: transações rápidas, seguras e descentralizadas, maior transparência e acesso a sistemas financeiros globais. Contudo, a mesma estrutura descentralizada e anônima que as torna atrativas também as torna suscetíveis a usos mal-intencionados.

Segundo relatório da Kaspersky (2023), somente em 2022 foram registrados ataques que resultaram no roubo de aproximadamente US$ 2,8 bilhões em fundos de criptomoedas — destacando a magnitude do problema e a necessidade de rastreamento especializado.

02

Fundamentos do Ecossistema

2.1Blockchain

Banco de dados distribuído compartilhado entre nós de uma rede. Mantém registro seguro e descentralizado de transações — imutável por design. Cada bloco contém dados codificados do bloco anterior, formando uma cadeia que elimina a necessidade de terceiros confiáveis.

2.2Bitcoin

Moeda digital peer-to-peer, de código aberto e descentralizada. Todas as transações são registradas em livro-razão público. Novas transações são verificadas contra o blockchain para evitar gasto duplo — a rede global se torna o próprio intermediário.

2.3Ethereum

Plataforma de software global e descentralizada, projetada para ser escalável, programável, segura e descentralizada. Usa blockchain com blocos que contêm dados codificados do anterior — criando cadeia imutável. Permite contratos inteligentes e tokens.

2.4Deep Web & Dark Web

Deep Web: parte da Internet não indexada por mecanismos de busca, acessada via Tor. Dark Web: subconjunto da Deep Web com alto anonimato via criptografia — endereços .onion ocultam localização dos servidores. Ambiente para atividades legais e ilegais, sem regulamentação.

03

Estudo de Caso

Um conjunto de 113 websites .onion provenientes da DarkNet foi disponibilizado para análise, resultado de ações reais de Perícia Computacional e Inteligência Cibernética junto às Forças de Segurança e Lei. Os sites foram visitados via navegador Tor em ambiente Linux isolado.

Ferramentas OSINT utilizadas

Maltego

Montagem de investigações de carteiras digitais

Breadcrumbs Investigate Crypto

Investigações de carteiras digitais

Blockchain Explorer

Explorador de Bitcoin e Ethereum

Arkham Intelligence

Explorador de Bitcoin e Ethereum

BNB Smart Chain Explorer

Explorador de BSC

Cloverpool Explorer

Explorador de Bitcoin

BtcScan

Explorador de Bitcoin

Blockchair

Explorador multi-chain

Etherscan

Explorador de Ethereum

04

Resultados e Discussões

57

carteiras distintas extraídas dos sites

24

carteiras com movimentações significativas

5

carteiras analisadas em profundidade

Plataforma desenvolvida

Como produto complementar ao estudo, foi desenvolvida uma plataforma web (HTML, CSS, JavaScript) denominada Bitcoin Wallet Transaction Consulter — permite consultar carteiras e transações Bitcoin com visualização de dados: número de transações, valores enviados/recebidos, saldo total e exportação para planilha XLSX.

Ver plataforma
05

Considerações Finais

01

Especialistas enfrentam desafios na análise de criptomoedas: anonimato e descentralização das redes blockchain dificultam rastreamento.

02

Ausência de regulamentações específicas e falta de ferramentas tecnológicas adaptadas ao contexto nacional tornam o processo mais complicado.

03

Monero impede qualquer forma de rastreamento — contrasta com Bitcoin e Ethereum, que permitem rastreabilidade até um determinado limite.

04

Falhas na elaboração de solicitações judiciais por peritos e juízes podem retardar ou inviabilizar investigações ao chegar nas corretoras.

05

É essencial padronizar solicitações de informações sobre criptoativos junto às corretoras, em conformidade com a LGPD.